Oh céus! Oh vida!

Há muito tempo que eu não separo minutos do meu dia para escrever e muito menos para postar aqui. Acho que seja devido a minha vida tão agitada. Até metade do ano eu reclamava de estar tanto tempo parado. Via a vida passar lentamente e nessa lentidão ficava eu confuso com diversas coisas. O que seriam essas "coisas"? Nem eu mesmo sei especificar ao certo o que eram mas também acho que não vem ao caso. Agora vejo a vida passando muito rápido. Os dias voam e as horas passam despercebidas.

A medida que o tempo passa, nós acabamos nos cobrando a respeito do que fazer no futuro, quais caminhos seguir e isso tira o sono com muita crueldade. Ok, não tira o sono literalmente, mas me deixa muito confuso. Não quero me sentir frívolo diante do meu presente, porém também não quero me exaltar. Mas a vida não me deixa seguir com tranquilidade absoluta. Há horas que eu preciso parar, sentar e colocar minha mente para trabalhar. Pensamentos são as nossas melhores armas. Acho que preciso aprender a lidar melhor comigo mesmo, com minha mente, com minha vida. Eu sinto uma necessidade grande disso. Sempre ajudei o próximo em problemas desse tipo, mas agora eu mesmo preciso me ajudar.

Não vejo necessidade de salutar toda minha vida até agora. Sinto orgulho de tudo que fiz e me arrependo de quase nada. Apenas procuro pelos sentimentos mais prazerosos. Contudo, será que as pessoas estão dispostas a me darem uma retribuição recíproca deles? Será que elas já dão e eu não percebo? Eu estaria precisando que todos fossem mais transparentes em relação a isso? Eu sei que todos são diferentes e, particulamente, sou de me expressar com facilidade e não consigo aguentar muito tempo sem expor meus sentimentos. Eu tento entender como muitas pessoas guardam tudo pra sí e não deixam o que sentem ir em direção a liberdade. Qual é o valor, o prazer, a importância de você sentir algo e simplesmente reter isso dentro de você? Para mim isso é efêmero. Não suporto coisas volúveis. Ninguém consegue ser feliz sem realmente viver com intensidade o que sente e tomar atitudes em frente a isso.

Agora, lendo o parágrafo anterior, eu percebo que minhas dúvidas e confusões são maiores que imaginava. Quando terei as respostas? Como elas irão chegar? Até mesmo as soluções e respostas para meus questionamentos já são em sí as próprias questões.

5 comentários:

luizas 10 de novembro de 2009 às 21:13  

Algumas perguntas sempre vão continuar sem resposta, nem o tempo se encarrega.
Guardar tudo pra sí é o pior mesmo, mas soltar é tarefa dificil também, tem vários fatores, se rebaixar é um deles.. ficar quieto mantém a pessoa em um pedestal.

Paco Sanchez 10 de novembro de 2009 às 21:14  

Lindão, viver é o que nos resta.. então faça que isso seja positivo na maioria dos aspectos. E não se preocupe muito com os outros, ninguém pensa igual a ninguém e eu acho que no final da vida o que conta é quantas pessoas foram realmente teus amigos, quantas vezes vc disse "eu te amo" e quantas vidas você ajudou de alguma forma... Remember this: Live and let live...

Felipe 10 de novembro de 2009 às 21:21  

complicado, né?

mas as vezes as pessoas guardam o que sentem e continuam sentindo com intensidade... por pra fora nem sempre equivale a viver intensamente...

Nuno 10 de novembro de 2009 às 21:36  

1) "Não quero me sentir frívolo diante do meu presente" - O presente por si só é frívolo, pois é um “nada” suspendo entre o que já-não-é (passado) e o que ainda-não-é (futuro). O presente, portanto, é NADA, e como nada há uma multiplicidade de possibilidades de realização... o que quero dizer é “carpe diem barroco”: viva e plenifique-se.

2) "lidar melhor comigo mesmo" - O ser é o mistério inesgotável, pois é em torno do ser que tudo gira. Mas o que é o ser? O ser é “o que se é” e o “que não se é”, ou seja, eu sou o que sou e também o que não sou, pois o “não sou” é o NADA, e como NADA posso ser TUDO! Você nunca irá se entender, pois o nosso ser é obscuro (não no sentido de “maligno”, e sim de “secreto”). O que temos que fazer é: assim como a árvore finca sua raiz no mais profundo da terra, nós temos que fincar nossas raízes no obscuro do ser para que cresçamos. E é no PRESENTE que isso acontece, isto é, por sermos o que “somos” e o que “não somos”, somos um eterno SENDO.

3) "me arrependo de quase nada" - Arrependimento é fraqueza do psico-físico, a vida é curta demais pra perder com essa bobagem. Aja duas vezes antes de pensar e serás feliz!

4) "a importância de você sentir algo e simplesmente reter isso dentro de você?" - O ser humano infelizmente é cheio de máscaras, já dizia Machado e Guimarães Rosa. E por mais que queiramos não ser também, somos em algum nível, pois como foi dito no “3”, somos obscuros, mas com um adendo agora: somos obscuros para nós mesmos e para os outros, pois temos medo de revelarmos o que realmente somos, ou melhor dito, nem nós realmente sabemos o que somos. Quantas vezes não nos surpreendemos com as nossas próprias atitudes e/ou pensamento?

5) "Quando terei as respostas?" - Não há respostas! Pois as respostas são “o fim da filha”... as perguntas é que o que nos move na nossa pró-cura da travessia do nosso ser. Seja bem-vindo a terceira margem do rio (Guimarães Rosa)

C'est fini =D

Anônimo 10 de novembro de 2009 às 21:51  

quanto às dúvidas, um dia elas desaparecem: você as esclarece ou então, as apaga da cabeça.

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Elucubração é uma meditação intelectual normalmente feita durante o decorrer da noite. Segundo alguns dicionários, elucubração seria uma vigília psicológica para se concluir algo de determinado assunto. Conclua os seus aqui.