O susto é uma forma súbita de enfrentar o que sempre tememos encontrar, aceitar ou admitir. O que nos é profundamente verdadeiro sempre vem de mãos dadas com as nossas maiores fraquezas, dependências, carências e necessidades. Daí o susto, daí a angustia, o frio gostoso de amar (primo irmão de ser), repugna por odiar... Leia o idioma dos suspiros e lerá a fala do amor...
A constatação dos sentimentos tem, ainda, o doloroso efeito de, ao mesmo tempo em que revela, melhora e inebria, dizer: chegou a hora! Não mais filho, não mais dependente, não mais criança. Daqui pra frente é ser pai, mãe, homem, mulher, adulto... enfrentar os medos da independência e os cuidados das responsabilidades. De provido a provedor, eis a difícil transição misteriosamente escondida no ato de sentir, amar. Ela se expressa no susto infiltrado na alegria maior da descoberta de um ser (amado) de sortilégios e afetos e defeitos.