Um lindo campo poderia ser deslumbrado naquele local. Era uma tarde fria porém ensolarada de inverno. O campo era realmente grande e com uma coloração esverdeada. No horizonte se podia ver outras montanhas e bosques. Para mim bosques sempre foram misteriosos pois só eles sabem os segredos que guardam no meio de tantas árvores e diversidade vegetal, tantas histórias que ali já desenrolaram ou não, tantos anos de formação... Eu gostava de contemplar aquele emaranhado de árvores porque podia figurar meus pensamentos, podia não me sentir só, podia ser compreendido pela incompreensão da vida sem vida, sem inteligência. Olhando dali, o mundo parecia ser dotado de paz, presenteado pela beleza e louvado pela suas alegrias. Como conseguia eu ver o mundo tão caótico?
Sentado naquele imenso campo e eu coberto de casacos mesmo com o sol a pino, às vezes imaginava um homem que amava ao meu lado. Ele sempre ficava bem ao meu lado, pertinho. A imaginação tomava vida própria. Ficávamos ali sentados observando tudo e apenas a presença já era o suficiente para entendemos o que cada um pensava e sabíamos que, mesmo com a nossa mente cheia de problemas e conflitos, nós tinhamos aquele lugar ainda como refugio.Ao olhar pro lado eu o via afastado de mim e aparentava estar irritado, magoado e com dor. Me machuva vê-lo assim, confuso. A dor de um homem pode ser fatal. Aquela visualização me desgostava e me fazia querer voltar a olhar o horizonte, pois nele, ah... nele o homem que até então se encontrava afastado de mim agora estava ao meu lado e em seu rosto estava um lindo sorriso. E sim, o mais belo de todos os sorrisos era o dele. Inequações psicológicas se tornavam equações coerentes naquele olhar penetrante que ele me olhava. O calor do seu abraço podia ser sentido a centenas de quilometros de distância e ao mesmo tempo a milimetros da minha pele. O toque dos nossos lábios era o mais imaculado. E seu amor, naquele lugar, era para sempre.
Ao voltar a olhar arduamente para o lado eu continuava o vendo afastado demais, absorto em seus profundos problemas, em sua conflituosa confusão. Nesse momento o que eu mais queria era tirá-lo dali, contudo, cada pessoa tem seu direito de escolha e de vivência. Eu respeitava o dele e a única coisa que eu poderia fazer era simplesmente olhar para a frente, para o bosque, para o futuro. Longo caminho de aprendizado estava embargado nas minhas costas e diferentes rumos estavamos tomando.
Porém, havia o conhecimento de que mesmo com tudo que passamos, o mundo exterior continuava sendo bonito e que a vida trataria de proporcionar a alegria nos tempos mais dificeis, o calor nos tempos mais frios e a aproximação dos dois na hora certa.
0 comentários:
Postar um comentário