Estava assistindo um filme com meu pai e o filme lidava com um assunto delicado: a morte. A morte não é necessariamente física. Mortes podem ser psicológicas também. Sou atraído pelo filme que te entretém e induz a pensar. Não é algo superficial. Você pode mudar sua vida com apenas um filme, em apenas uma hora e poucos minutos. Não, não é este o caso. Não vou afirmar que minha vida mudou e sou um novo ser. Porém, eu pude organizar minha mente e enxergar com mais clareza que realmente tudo tem um final e tudo tem um começo. Isso é muito lógico, mas quando você tá no meio de um turbilhão de sentimentos e pensamentos, acabava ficando esquecido. A felicidade e a tristeza são puramente estados mentais. Nós mandamos nesses estados. Essa autonomia é um assunto muito complexo e não é onde quero chegar.
Bem, vimos o filme e depois fomos jantar. Minha mãe, impaciente como sempre, não nos esperou. Estávamos sozinhos na mesa, apenas o barulho dos talheres e meu pai solta: "filho você precisa se apaixonar". Eu engoli minha comida e logo depois tento engolir essa frase dele. Levantei a cabeça e falei: "me apaixonar?"
Questionei algo que não era para questionar. Ficou evidente que meu pai sabia que precisava voltar a sorrir, sentir borboletas estomacais, rir a toa, ver o mundo mais colorido e a vida mais bonita. Ele é acima de tudo um grande amigo meu. Sabe pelo que já passei na vida e sente muito por tudo isso. Durante os segundos entre o meu questionamento e a resposta dele eu o vi sorrir. Ele, enfim, disse: "Eu falei isso brincando. Eu te conheço. Conheço tudo que esses olhos dizem e o que esse sorriso ri. Sei que você não precisa se apaixonar, pois acho que isso já esteja acontecendo". Ok, depois de tentar digerir aquela pergunta complicada eu levo um susto com essa afirmação. Sabe quando as pessoas a sua voltam percebem, têem a consciência e a certeza de algo e você tá totalmente "out", mas sendo que é algo relacionado com você mesmo? Bizarro. A verdade, até mesmo a realidade, é meio bizarra.
Parei. Pensei. Pensei. Conclui. Não, não importa o rótulo que leve o que eu sinto. Não importa mais o rotulo que leve o que sinto sobre qualquer coisa. Eu apenas quero sentir. Não estou preocupado com a condição, com o momento, com a intensidade. As condições físicas ou até mesmo virtuais, imaginárias, não trazem mais muito significado. Se eu conheço a pessoa há duas horas, por exemplo, e ela me deixa feliz, me deixa bem, então vou ficar com ela o tempo que for. Há pessoas que conhecemos a muito tempo e não nos fazem sentir o que pessoas que conhecemos a pouco nos fazem. Apenas quero sentir a vida e tudo que ela tem para me oferecer. Tenho sede disso e é esse o caminho a seguir. As pessoas deveriam parar de se importar mais sobre o nome que leva os sentimentos. O nome, o rótulo, nos assusta. Para que vamos ficar assustados? Quando não há nada impedindo então apenas vamos viver e deixar a vida nos levar. Zeca Pagodinho feelings.
Então é exatamente isso. Vou apenas sentir.
Um ciclo
Postado por
Mimari
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
1 comentários:
fato. temos a péssima mania de viver conforme os manuais, mas esquecemos q eu se houvesse receita pra felicidade, ninguém escolheria sofrer, chorar e ter momentos ruins. Por mais independente que seja definirmos, temos que lutar contra isso. Sentir é melhor que definir, pois definir é limitar-se, já dizia o grande Wylde.
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