O ano começou e com ele vem aquela renovação da alma, aquela vontade de se re-inventar e toda uma esperança de tempos melhores para nossa vivência. Acontece que todos esses desejos carregam consigo o questionamento, logo, a dúvida. Tudo questionamento tráz consigo também uma confusão de idéias e é a partir delas que você vai ter a conclusão do que quer. Somos formados exatamente disso: mudanças, amadurecimento e pensamentos. Se há algo comum a qualquer idade é isso.
Sempre defendi a teoria de que as pessoas devem ser elas mesmas. Cada indivíduo tem em sí características particulares e é isso que vai causando a diferença entre a igualdade humana. Porém, há momentos que precisamos mudar nosso "eu" básico. Há elementos que nunca mudam, outros devemos induzir a mudança. Ultimamente eu venho me questionando muito sobre minha forma de lidar com as pessoas, meus sentimentos, minhas relações e vejo se não devo mudar algo.
Às vezes é complicado ter o fardo de existir eloquentemente. Tento disfarçar essa tarefa que é comum a todas as pessoas exceto aquelas que gostar de pensar e pensar. O ato de pensar muito sobre a existência é uma bênção amaldiçoada. Ultimamente eu estava me perguntando se não deveria mudar para poder ser mais feliz. Creio eu que sou uma pessoa que dá valor demais a todas minhas relações. Sou daqueles que procuro, ligo, falo por qualquer meio virtual, enfim, procuro sempre manter contato. Isso talvez faz com que as pessoas não se preocupem muito em fazer o mesmo comigo. O que não entendo é que muitas reclamam que já sofreram com pessoas que não davam a mínima, que maltratavam ou afins, mas parece que quando você dá tudo que elas precisam é quando elas acabam fazendo o que alguém fez com elas e, consequentemente, as fez sofrer. Seria isso uma reação em cadeia? Um jogo de dominó humano? Há vezes que isso acontece e não é de propósito e sim uma atitude inconsciente. Mas, no fundo, é uma reação do seu subconsciente que já conhece determinada reação e te faz ter uma mesma atitude que alguém já teve com você, porém, desta vez é você quem fará sofrer para que com isso você não volte a sofrer sendo a vítima e sim ficar bem sendo o acusado. O sofrer que digo não é algo depressivo, pode até mesmo ser um momento incômodo.
Sempre fui de dar muita atenção para as pessoas, conversar muito, me irritar pouco, para brigar comigo tem que pedir muito, adoro demonstrar carinho, ser romântico, me preocupar, manter contato, dedicar tempo a quem precisa de mim e várias outras coisas que eu faço, mas sinto falta de receber. Certo dia uma amiga minha me olhou seriamente e disse: "Você tem que aprender a ser filho da puta, Daniel. Você é bonzinho demais. As pessoas reclamam dos filhos da puta, mas na verdade elas só gostam dos filhos da putas. As pessoas, em sua maioria, são masoquistas. Gostam de sofrer e mesmo reclamando disso e querendo alguém que as dê tudo de bom elas continuam nessa onda. Vou te ensinar a ser um bom canalha. Você vai ver". Lembro que foi exatamente isso que ela me disse e foi recente. Eu a disse que iria pensar se gostaria de virar um filho da puta para todas as pessoas ao meu redor e ela tá me cobrando a resposta. Tô tenso. Seria uma hipocrisia das pessoas em afirmar que querem ter amigos, namorados ou seja lá o que for e ao mesmo tempo elas apenas gostam daqueles que as maltratam? Eu tenho vários exemplos disso e um deles é até mesmo de uns parentes meus. Eu não estou afirmando que sou santo, inocente e tenho todos as qualidades. Muito pelo contrário, tenho defeitos mesmo. Mas vejo que sou meio molenga para relações. Dou perdão muito fácil, difícilmente fico com raiva, mas também não pise muito no meu calo pois meu lado ruim quando aflora... bem, ele aflora mesmo.
Esse desabafo pode ser um meio de colocar para fora um pouco que eu tenho em mente e, talvez, organizar os pensamentos. Se alguém ler pode vir comentar comigo e debater o assunto. Talvez eu não vire um canalha, mas continuar nessa vibe de não ter muitas coisas reciprocas é que não vou.
OBS.: Esse texto não é um indireta para ninguém em específico. Há muitas pessoas que me correspondem exatamente da forma que sou com elas. Contudo, outras não. E as que lerem e verem que são essa parcela vão saber.
Re-invenção
Postado por
Mimari
sábado, 2 de janeiro de 2010
Marcadores: Textos
3 comentários:
Pois então, irei tirar todo pensamento filosófico que eu poderia fazer sobre, mas creio que no momento você precisa mais de mim humano/amigo. Então vamos a minha visão de mundo: mudar o que se é é impossível, no máximo pode fingir, e tem que ser um bom fingidor (tá, Fernando Pessoa rs). Ser sincero consigo mesmo é o melhor presente que você pode dar a si mesmo. Ponto número dois: sofrer faz parte da vida, é o que te dá aprendizado, viver que nem um bobo feliz, por mais "alegre" que pareça, te tornaria numa pessoa insensível a dor alheia, pois vc mesmo não sente nada (tá, Fernando Pessoa de novo). Terceiro: por mais que se goste dos canahas, ninguém quer se envolver com um conscientemente... quando se envolve com esse tipo de pessoa propositalmente é que quer "curtir" com ela e nada mais, "pegou passou", essa é a verdade. Por fim, seja sincero consigo mesmo, e que aqueles que te gostam de verdade, saberão reconhecer quem vc é, e não quem finge ser... e aprenda uma coisa que eu aprendi: dê atenção a quem realmente merece, pois se desgastar com "causas perdidas" cansa demais.
Um abraço, fique bem,
Bruno
Acho que eu me identifiquei com o texto...não por achar que foi uma indireta pra mim, mas por agir como vc...muitas vezes sou eu qm vou atrás...tava até pensando nisso esses dias...eu que chamo no msn, eu que mando mensagem, eu que marco as coisas, eu que ligo...e na maioria das vezes acabo quebrando a cara...isso é algo que eu tenho que aprender a superar...é isso aí...
discordo completamente da sua visão. a vida é uma extensa novela, uma soap-opera americana, daquelas onde todos interpretam todos os tipos de papéis. somos multifacetados, intensamente.
sobre gostar de canalhas, você comete um erro gravíssimo, o foco não está no objeto da ação, mas na ação em si. gostar já é um verbo completo e, infelizmente, incompreensível, até mesmo para quem sente. dessa forma, todos já fomos canalhas e já apaixonamos por canalhas. c'est la vie.
o problema não está na finalidade, mas na potência, frequência, ou seja lá que possa denomina...
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